



Apoiar o empreendedorismo em todas as regiões do Estado é o foco das atividades da Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE). Esse papel ganha ainda mais importância em iniciativas como a Fenearte, quando a agência de fomento estadual viabiliza a participação de artesãos e comerciantes na feira ao oferecer financiamento para aquisição dos estandes. Este ano, 62 espaços receberam o crédito da AGE, com produtos vindos da Região Metropolitana do Recife (RMR), Zona da Mata, Agreste e Sertão, totalizando quase R$ 200 mil liberados.
São empreendedores como Júlia Vieira Silva, a mais nova entre os que obtiveram o recurso junto à AGE este ano. Aos 21 anos de idade, a moradora do Alto José Bonifácio, no bairro de Casa Amarela, no Recife, está na Fenearte com a Pop Corn Doce Infância, em que serve pipocas gourmet, com sabores doces e salgados; além de algodão doce. Júlia conta com a ajuda da família para dar conta do atendimento ao público de adultos a crianças que fazem fila em frente ao seu ponto no corredor da Rua 1 da feira em busca dos quitutes.
“Estamos recebendo muitos elogios das pessoas, pelo sabor das pipocas e, até mesmo, por nossa limpeza e organização. Foi excelente conseguir este dinheiro com a AGE antes da feira, para investir em mercadorias e maquinário. Também ajudou para personalizarmos a foodbike, comprar o pneu de bicicleta e pintá-lo”, conta a jovem, que começou a empreender em 2021, depois de fazer sucesso com sua ideia na Bienal do Livro. “Conhecemos outros empreendedores que trabalham com feiras e não paramos mais. Conseguimos encomendas para festas infantis, além de comemorações em escolas e empresas”, recorda.
BRINQUEDOS E BONECAS DE PANO – Da região da Zona da Mata Sul, em Tamandaré, vem Rosangela Barros, 65 anos, à frente da Maria Chiquinha (rua 10, estande 243). Com 17 anos de participação na Fenearte e vários cursos feitos junto ao Sebrae-PE, Rosangela buscou o apoio da AGE nas últimas duas edições em que foi selecionada pela curadoria: em 2022 e neste ano. Ao lado do marido e seu principal ajudante, Leonardo, a artesã produz brinquedos infantis, como bonecas de pano, bailarinas, chaveiros, vassoura com boneca, banquinhos com almofadas em tecido.
“Me preocupo com a qualidade e não com a quantidade do que fabrico. Por isso, estou costurando as bonecas que trouxe desde janeiro. Só de bolsinhas foram 450 unidades. As vendas na Fenearte são muito boas e já tenho encomendas até o mês de novembro. O apoio da AGE é ótimo, os juros são pequenos e usei o dinheiro para comprar matérias-primas”, revela a artesã, que também comercializa produtos no Centro de Artesanato de Pernambuco (Cape), no Marco Zero, no Bairro do Recife; e em Tamandaré, diretamente no ateliê.
VIDA ESCULPIDA EM BARRO – Neta de dona Ernestina, primeira ceramista mulher do Alto do Moura, em Caruaru, no Agreste, Janaína Barbosa, 45 anos, comemora o sucesso de vendas de suas peças em barro. Diariamente ela busca novos produtos no depósito para repor os estoques. O carro-chefe são esculturas inspiradas na cultura local: Lampião e Maria Bonita, a volta da roça e o trio de tocadores de forró. “Lá, a gente já nasce fazendo ou pintando o barro”, conta Janaína, que começou a aprender seu ofício aos 8 anos.
Participando da Fenearte há 15 anos (rua 1, estande 144), ela diz que perdeu a conta de quantos financiamentos obteve junto à AGE [foram sete vezes]. “Nem todo mundo tem dinheiro sobrando que possa pagar o estande à vista. Com a agência é interessante porque acaba sendo um grande apoio para a gente. Só trabalho com artesanato, e na Fenearte conseguimos novos conhecimentos que possibilitam pedidos para os outros meses do ano”, explica.
PINTURA AUTODIDATA – Tímido, Aluizio de Andrade, 46 anos, mais conhecido como Aluizio Fernã, “o pintor do Sertão”, comercializou quase todas as telas que trouxe de Serra Talhada, sua terra natal, dias antes do encerramento da feira (estande 194, rua 6). As imagens tridimensionais de seus quadros, o cuidado com o emprego da luz e sombras e a paleta de cores fazem com que as cenas sertanejas retratadas em tinta a óleo pareçam verdadeiras fotografias. Os instantes captados vão desde paisagens até cenas do cotidiano nordestino, como o matuto sertanejo e sua família, em sua rotina de trabalho, descanso e contemplação.
Artista autodidata, ele foi aprovado para o crédito da AGE de duas maneiras: tanto para capital de giro como para o parcelamento do estande. “Se não fosse assim, ficaria meio pesado. Para comprar as molduras, por exemplo, consegui um bom desconto no frete, compensava pegar o empréstimo”, pondera. Aluizio começou a pintar em 1996, mas aperfeiçoou seu talento com cursos, iniciados em 2013.
Apoio financeiro a 62 clientes de artesanato e alimentação
Desde que começou a liberar crédito para os artesãos e comerciantes da Fenearte, há 10 anos, a AGE já desembolsou cerca de R$ 2,9 milhões para 1.183 empreendedores. As condições para o financiamento são mais vantajosas do que aquelas oferecidas pelo mercado bancário, com taxas de juros menores e parcelas mais atrativas.
Na edição deste ano, que segue até domingo (14), no Pernambuco Centro de Convenções, em Olinda, a AGE disponibilizou crédito para 62 empreendedores, nos segmentos de artesanato e alimentação, com taxa de juros de 1,5% ao mês, para clientes novos, e 1% para os de renovação dos contratos. O prazo de pagamento é de quatro a nove meses, sem carência.
“É um trabalho diferenciado feito junto à Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), e o Governo [do Estado] é o grande garantidor disso. A Fenearte é um lugar em que os empreendedores desenvolvem bem suas vendas. A gente espera que a cada ano cresça [o número de clientes da AGE]. Mas se você tem menos empreendedores querendo o crédito, significa que a economia também está muito latente. E isso é muito importante”, avalia Angella Mochel, diretora-presidente da AGE
